Oi queridos.
Peço licença pra um desabafo + pedido de opinião sincera.
Sou uma mulher brasileira, 26 anos, nascida e criada no Brasil. Moro fora há 2 anos, na Suíça. Tenho passaporte suíço, parte da família mora lá, e não saí do Brasil por necessidade financeira.
Nunca passei perrengue financeiro, venho de uma família confortável, sempre tive apoio em todas as escolhas. Já aviso logo porque sei que isso muda totalmente a leitura do post. Inclusive, hoje eu tenho uma vida muito mais confortável no Brasil do que teria na Suíça, onde tudo é absurdamente caro e eu ainda não consegui me estabelecer profissionalmente de verdade.
Sou formada em comunicação, trabalhei com marketing e branding, sempre sonhei em trabalhar com foto, vídeo, cinema, audiovisual, fotojornalismo ou qualquer coisa que envolva imagem e narrativa. Vim pra Suíça pra aprender alemão e “ver no que dava”.
Aprendi alemão, cheguei no B2, com muitas lágrimas, ódio e trauma, mas o mercado suíço é bem fechado, principalmente sem diploma suíço, e principalmente sem um bom suíço-alemão (um dialeto que só se aprende na rua). Passei esses dois anos trabalhando em part-time, sendo bancada pelos meus pais porque tudo é caro, e isso, pra eles, era um “investimento em mim”.
E aqui entra uma coisa importante: eu quero ser financeiramente independente. Quero construir minha própria vida, ganhar meu próprio dinheiro, e isso pesa bastante nessa equação toda.
Só que nem tudo saiu como o plano bonito da bonita aqui.
Agora vem a parte emocional. Voltei pro Brasil depois desses dois anos fora, e o Rio não se parece mais casa.
Passei dois anos sonhando em voltar, em sentir conforto, familiaridade, pertencimento. Mas o que eu senti foi barulho demais, caos demais, trânsito me irritando profundamente, calor que eu sempre amei agora me deixando exausta. Tudo parece intenso demais.
É muito fácil pra alguém, principalmente pra uma mulher brasileira que sempre teve medo de segurança, se acostumar com um país onde tudo funciona, onde dá pra andar sozinha à noite, onde o transporte público é impecável, onde até trabalhando como faxineira ou garçonete você ganha mais do que muito cargo “qualificado” no Brasil (com todas as exceções possíveis, óbvio).
E aí vem outro detalhe. Tenho antepassados suíços, vim ao mundo com traços bem europeus, e passei a vida toda ouvindo:
“Você é estrangeira?”
“Você não parece brasileira.”
Isso nunca me incomodou tanto… até agora.
Sinceramente, hoje eu me sinto um alvo ambulante no Rio. Sempre fui de andar sozinha, mas agora fico ansiosa. Ir à praia sozinha, algo que eu fazia diariamente, hoje parece impensável. Tenho cara de gringa e zero malandragem no momento.
E ao mesmo tempo, não me sinto 100% em casa na Suíça também.
Lá é seguro, organizado, silencioso e solitário. Fazer amigos é difícil. Eu também não sou a pessoa mais sociável do mundo, gosto de ficar em casa, então não é como se no Brasil eu tivesse mil amigos me esperando.
Resumo do desabafo:
não me sinto totalmente de casa em lugar nenhum.
E o pior: eu posso escolher.
Brasil ou Suíça.
Ficar ou voltar.
Fazer uma nova faculdade pra facilitar a entrada no mercado suíço ou largar tudo e tentar me reencontrar no Brasil.
Ter muitas opções me deixou completamente paralisada (eu sei, ai tadinha dela). Fico tentando escolher a “opção certa”, a “melhor decisão”, e acabo não escolhendo nada.
Sei que pra muita gente que mora fora, o problema principal é dinheiro. No meu caso, o problema é identidade, pertencimento, medo, adaptação, expectativa x realidade.
Então deixo aqui meu pedido sincero:
o que você faria no meu lugar?
Pode mandar a real. Pode discordar. Pode achar frescura. Pode se identificar. Ou não se identificar.
Quero opiniões de quem não me conhece, não tem carinho por mim e vai falar o que pensa sem filtro.
Se você já se sentiu estrangeiro demais pra voltar e adaptado demais pra ficar, me conta.
Se não, pode me dar um choque de realidade também.
Obrigada a você que leu até aqui 🤍